Ásia
O Camboja organiza-se em torno do Mekong e do lago Tonlé Sap, o maior lago de água doce do Sudeste Asiático e o motor ecológico do país. As suas margens são ocupadas por uma floresta inundada sazonal onde os peixes se reproduzem e onde se instalam aldeias flutuantes que se deslocam com o nível da água. A sudoeste, as montanhas Cardamomo conservam um dos blocos de floresta húmida mais bem preservados da Indochina, com elefantes, ursos-malaios e crocodilos-siameses. A norte e a leste, as planícies secas de floresta de dipterocarpáceas albergavam grandes manadas de ungulados e continuam a ser o último refúgio do íbis-gigante e dos abutres do Sudeste Asiático. Os troços do Mekong em Kratie mantêm os últimos golfinhos-do-Irrawaddy do país.
Animal nacional: O kouprey, um bovídeo selvagem declarado animal nacional em 1964 e do qual não há observações confirmadas desde os anos oitenta; o íbis-gigante é a ave nacional
O Tonlé Sap protagoniza todos os anos um fenómeno hidrológico quase único: durante a monção, a cheia do Mekong é tão forte que inverte o sentido do rio que drena o lago e o obriga a correr para dentro. O lago chega a multiplicar por cinco a sua superfície, inunda a floresta circundante e oferece aos peixes um enorme viveiro. Dessa inversão anual depende uma das maiores pescarias de água doce do planeta.
Prek Toal é o último grande refúgio de grandes aves aquáticas do Sudeste Asiático, com colónias de marabus e cegonhas que estiveram à beira do colapso e recuperaram quando os antigos recoletores de ovos passaram a ser guardas. Os abutres da região sofreram o mesmo colapso por envenenamento que os do sul da Ásia.
Prek Toal entre dezembro e fevereiro para colónias de aves aquáticas. Kratie todo o ano para golfinhos-do-Irrawaddy. Planícies secas do norte na estação seca para o íbis-gigante.
231 espécies encontradas
Com base no que já sabemos sobre Camboja.